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Cristal para homens e preto e branco para mulheres? A 17ª edição da Casa Cor Rio de Janeiro indicou que a eqüidade de gêneros pela qual elas tanto lutam no mercado de trabalho já se espelha também na decoração.  Seja no papel de parede floral que compõe o quarto de hóspede do arquiteto Maurício Nóbrega ou nos tons terrosos do banheiro público feminino de Ana Luisa Quaresma, a verdade é que os casais conversam cada vez mais entre quatro paredes - pelo menos quando o assunto é arquitetura.

Na história, a arquitetura sempre refletiu os costumes de sua época e agora não poderia ser diferente. As mulheres estão conquistando espaço e isso faz com que os ambientes também estejam mais unissex.

"Acredito que os gêneros estão em igualdade de condições, caminhando lado a lado, por isso me preocupei em criar um ambiente sofisticado, feito para a mulher, mas que agradaria qualquer homem" - revela a arquiteta e designer de anteriores Ana Luisa Quaresma.

Em sua proposta, a arquiteta procurou resgatar o glamour do Jockey Club, investindo em detalhes clássicos que homenageiam o espaço. Um espelho no estilo Napoleão III, a janela redonda e a mesa art déco revelam a intenção da artista. Apostando em novidades na escolha do material utilizado, ela usou pastilhas de vidro no tamanho 3cm X 1cm em tons terrosos, um aglomerado de quartzo com propriedades antibactérias e a cuba oval em louça preta - uma tendência, segundo a profissional.

Roberta Devisate, designer de interiores, também homenageou o Jockey Club com lustres bem elaborados, repletos de cristais tchecos no banheiro público masculino. E no biombo, que fazia parte do espaço, a profissional usou folhas de ouro, outro material associado mais ao gosto delas.

Um ambiente masculino não precisa ser sisudo nem o cristal deveria ser vinculado apenas ao público feminino. "Criei um espaço de linhas retas, com poucos elementos, mas com toques de sofisticação e de brilho. A fronteira entre masculino e feminino é cada vez mais delicada" - destaca Roberta.

Preto e branco para elas

No Loft da Moça, a designer de interiores Claudia Brassaroto surpreendeu com o ambiente em preto e branco. O toque feminino fica restrito aos detalhes: um papel de parede floral reveste a parede atrás da cama e a colcha, em seda, pode agradar mais a elas. De resto, o ambiente poderia muito bem ter sido concebido para um rapaz.

"Quis fazer um ambiente mutante, que agradasse a todos. Os tons monocromáticas foram uma tendência apontada na última feira de Milão" - revela Claudia.

Sua inspiração veio de uma cliente, modelo e estilista, que, após um período de estadia em Milão, voltou para a casa do pai, trazendo toda a sofisticação lá de fora. A iluminação fica por conta do lustre de cristal e da luminária em tamanho extra grande, outras duas tendências observadas nos espaços da mostra. Claudia explica que o cristal ficou, por muito tempo, em segundo plano, e a iluminação perdeu um pouco de charme. Ela comemora a volta do material e diz que sua outra alternativa é "uma peça de luminária em forma de escultura", que confere função e beleza ao espaço.

A riqueza dos detalhes

Pequenas interferências que quebram o rótulo do espaço foram freqüentes na mostra. No Estúdio do Hóspede, de Maurício Nóbrega, localizado embaixo da arquibancada da tribuna, o arquiteto incorporou o desenho dos degraus ao espaço. E embora tenha apostado em tons terrosos, reservou pequenos espaços a um papel de parede floral - nas paredes e no teto - além de uma ilustração, produzida por uma grafiteira. As estampas de flores foram outra tendência apontada na mostra, utilizadas em outros ambientes masculinos como no papel de parede do Wine Bar, de Gilmar Peres, ou na poltrona do Estúdio do Rapaz, de Andréa Duarte e Guilherme Osborne.

No ambiente de Mauricio Nóbrega, uma iluminação avermelhada criava um clima de erotismo. "Quis preservar a dureza do concreto e do ferro, com algumas interferências femininas. O floral é uma brincadeira, afinal esse é um quarto para o casal, um típico quarto junguiano, em que o feminino e o masculino se encontram" - diverte-se, fazendo referência a Karl Jung.

Fonte: oglobo.globo.com

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